
Estou aqui, com a TV ligada ao fundo fazendo apenas a função de não deixar o quarto desse hotel de paredes brancas e frias com o som da minha solidão. Cheio de pensamentos na cabeça, vagando feito uma nave... ora pela futuro... ora pelo passado. Com as malas feitas para continuar a viagem. Sem grandes certezas e com dúvidas suficientes para buscar dentro de mim as respostas que preciso para não me deixar abater. Estou certo de que trabalho de forma honesta, determinada e com a força dos que acabaram de começar. Embora já olhe para trás e veja o ponto de partida quinze anos distante. Meu momento é agora, porque é o único que tenho de fato. Não estou atrás de recompensas nem de salvação divina, me sinto responsável por todos os erros e acertos que realizei e meus atos de bondade, coragem não foram feitos em troca de nada, fiz por puro egoísmo, pois antes de ajudar ou melhorar o que está ao redor isso me fez sentir bem.Tenho alguns medos, algumas paranóias, traumas, limitações e a consciência de que não posso me deixar levar por falsos sinais quando aparecem para me confundir. Só eu mesmo posso me confundir. Quando estou disperso, quando estou contaminado pela raiva ou por alguma frustração. Nesses instantes ficamos vulneráveis. Então é bom percebê-los o quanto antes para que as energias ruins não venham contaminar. Minha solidão não é uma rival, muito menos uma hóspede inconveniente. Preciso de sua presença para criar, para pensar, para rever minhas escolhas e aprendi que quem tem medo da solidão tem medo é de si mesmo na verdade. Tem receio de sua própria companhia. Aquele que não se sente confortável quando está só, é porque não está bem resolvido internamente. Não conhece seus demônios, nem suas sombras, e isso o atormenta e esse tormento o joga diante de uma necessidade de atenção e da aprovação constante. Nesse desespero, muitos se apegam a qualquer notícia ou palavra que traga um conforto superficial, volátil, que funciona quase que como um entorpecente, desses que se vende na rua, se fuma num cachimbo, leva a fumaça para o cérebro, traz um conforto passageiro e logo o joga de volta a sua angústia, e se repete o processo querendo ter mais do que nunca se teve de verdade. A existência sem função, sem objetivo, sem porquê, é o que acorrenta milhares de seres humanos a seus anseios por certezas e verdades absolutas. Precisam de um céu, de um paraíso, de um juiz ou um Pai lhe dizendo o que deve ou não fazer, e principalmente de responsáveis para que possam tirar o peso de suas escolhas para focar a culpa pelos descaminhos. Enquanto existir a força que habita meu peito para enfrentar as dificuldades e os obstáculos que aparecem, nada será capaz de me deter. E também preciso aprender a não dar um valor maior a certas pessoas e acontecimentos do que eles de fato tem. Pois muitas vezes criamos monstros e perigos em nossa imaginação que nos contaminam e nos impedem de viver de uma forma mais leve questões que são simples. No abrigo da minha solidão, num lugar distante de casa, existo, resisto, insisto, acredito, penso, vou superar, vou vencer, vou conseguir completar mais uma etapa e dessa vez não hei de estragar as coisas com um comportamento imaturo. Só nos dão valor de fato quando nos valorizamos primeiro. Assim será.
Bom dia solidão.